27.3.09

Coração

O coração pode estar machucado
Livre, solitário, cicatrizado
O coração pode se permitir refinado
Mas ele muitas vezes não é avisado

O coração flui só com paixão
Aquela arrebatadora, surpreendente
O coração então se enche de ilusão
E finge o que deveras sente

O coração é complicado
Busca respostas a todo momento
O coração pode se tornar adocicado
E encontrar um suave alento

O coração é indeciso
Questionador, misteiroso, descrente
O coração pode até perder o viço
E deixar de ser um coração valente

O coração move todo o ser
Ele é o combustível d euma existência
O coração é movido de bem querer
Preenchido, ele se livra de qualquer carência

17 de janeiro de 2007

annaclbarros    09:53:45 — Arquivado em: poesias


26.3.09

A voz

Reconheço a voz de longe
Ela é recheada de emoção
Ela tem a tranquilidade de um monge
Mas também a efusão de um vulcão

O dono da voz tem consciencia
Da potencia de seu tesoruo
Sem querer usa dessa influencia
E provoca sempre um estouro

Sua voz atinge em cheio o coração
De olhos fechados conseguimos reconhecer
Num pico maior, parece um trovão
Num menor, um doce entardecer

A descoberta se fez porque algo mudou
A voz percebeu seu próprio estilo
Amadureceu, cresceu, inovou
E definiu seu eixo, seu hilo

Essa voz tem um charme sem igual
Em qualquer ofício empregado
Ela nos transporta pro espaço sideral
Ela com certeza é um valioso legado

1 de novembro de 2006

annaclbarros    23:57:28 — Arquivado em: poesias


Recondito

O poeta é um ser solitário
Ele observa, sente, cala
Transpõe sentimentos, valente literário
Entulha seu peomas numa invisível mala

Os versos povoam os pensamentos
Baseiam-se em fatos, vivencias
Sao os mais diversos elementos
Todas a sletras concentradas em experiencias

Nao se vive de poesia
Mas ela alimenta a alma
Pensar em dinheiro é heresia
Pois ela transborda e nos salva

As vezes a inspiracao nao vem
Emperra como chave na porta
Mas de repente nao olha a quem
E mesmo sem sentido, ela desperta torta

Dificil compreender quem escreve
E um oficio arduo, diferente
Tentar fazer igual,ninguem se atreve
E um exercicio malemolente

O que fazer para redigir?
Ler muito e se abastecer de ideias
A poesia começa a submergir
E descortina ate lembranças velhas

Nao consigo viver sem poesia
Assim como nao consigo viver sem Deus
Ela e o alimento que me energiza
Ela é o recôndito dos sentimentos meus

8 de dezembro de 2007

annaclbarros    23:41:43 — Arquivado em: poesias


Cor

Por Wanderson Uchoa

cor

densa
fumaça
turva
contraste
nuvem
neve
leve

noite
triste
escura
brilho
novo
dia
novo

cinza
vazio

cor
vida
vazia
de amor

wanderson uchôa

Adoro poesia e resolvi postar uma de um blogueiro que nos visita com frequencia e contribui com o nosso blog.

annaclbarros    12:42:00 — Arquivado em: poesias


1.3.09

Aniversário

Aniversário

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

[473]

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distância!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui…
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais       copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!…

Hoje é aniversário do Rio de Janeiro e a semana do meu que é dia 7. Já comecei a comemorar pois recebi uma benção especial dos aniversariantes do mês do frei capuchinho. Adoro aniversario! Não festa, mas ser lembrada! E adoro Fernando Pessoa.

annaclbarros    10:59:51 — Arquivado em: poesias


28.2.09

Procura da Poesia Carlos Drummond de Andrade

PROCURA DA POESIA
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Carlos Drummond de Andrade

annaclbarros    18:35:21 — Arquivado em: poesias


2.1.09

Reminiscencias do novo ano

No início do ano pensamos tudo

Tudo que nao realizamos na vida

Eu nao tive filhos,nao casei,nao me realizei totalmente

Nao publiquei um livro sequer

Mas sou feliz e tenho esperança

Tenho a fé que é o combustível de minha vida

E ouso escrever versos sem rimar, o que me desagrada

Tamanha a perfeição que carrego comigo

Fico pensando o que há de errado comigo

Sou bonita,inteligente e gentil

Mas não há nada errado, é que tudo tem a sua hora

E a minha com certeza chegará

E será especial,única e diferente de todas

Esse ano será marcante,posso sentir

E eu vou conseguir tudo que eu desejar

Basta continuar ouvindo meu coração

annaclbarros    20:59:17 — Arquivado em: poesias


Quero publicar meu livro de poesias

Tenho um monte de poesias,que escrevo desde 2006, e esse ano tentarei mais uma vez publicá-las. É um dos meus grandes sonhos:publicar um livro. E ao ve ruma entrevista de Carlos Heitor Cony a vontade reacendeu… Já tentei bastante,algumas editoras,tive algumas ajudas preciosas, mas até agora nada… Mas tenho fé que sim. Ao pisar em Campo Grande e sentir a poesia de Manoel de Barros,que não é meu parente, foi muito inspirador. Ouvi seu nome no city tour e pensei como a palavra é minha amiga e como ela transformou minha vida e me salvou. Como a menina que roubava livros. Eu amo as letras,a poesia, as cronicas,os contos. A palavra é vida.

annaclbarros    20:51:23 — Arquivado em: poesias


23.7.08

Rio de Janeiro

Quem nasce e vive aqui

Não quer de jeito nenhum sair

Como viver sem o Cristo Redentor,a Lagoa

Sem a minha adorável Tijuca e reagir numa boa

 

O Rio de Janeiro é assim

Depois que impregna você é como jasmim

Andar solto pelo Jardim Botânico

No meio das mazelas não se perde o lado romântico

 

Aqui descobrimos inimagináveis recantos

Que preenchem nossa alma, todos os possíveis cantos

O ar daqui é diferente

O espírito carioca é algo singular,inerente

 

Sem falar no mar que nos invade

Pode ser Barra, Ipanema ou Grumari

O calor é uma chama que arde

E o sal vital não nos deixa mentir

 

O Rio da Rocinha, do Vidigal,do Borel e do Turano

Duas realidades que se fundem com certeza

A favela e o asfalto se misturando

Mas mesmo assim o carioca não perde a gentileza

 

O Amor pelo Rio é maior do que eu

Aqui aonde quer que eu olhe vejo Deus

Mil igrejas espalhadas por ai

O Rio é um energético,uma tigela de açaí

 

O Rio da querida floresta da Tijuca

Óasis que nos embriaga, nos ajuda

A enfrentar as batalhas do dia-a-dia

O Rio que é a mais perfeita poesia

 

O Rio do futebol,de Sao Januario, do Maracanã

O Rio dos meninos de rua nos carrinhos de rolimã

O Rio do por-do-sol do Arpoador de toda a manhã

O Rio sempre quente que dispensa casacos de lã

 

O Rio cultural,moderno,musical

O Rio da majestade do Teatro Municipal

O Rio do samba,bossa nova,funk,rap, de todos os ritmos

O Rio que nao e exato, dispensa logoritmos

 

O Rio das letras, que me entorpece

O Rio de Vinicius, de Xexeo,de Dapieve

O Rio que e meu mundo,que me apetece

Rio,eu tentei,mas sua Maravilha nao se escreve

 

                         15 de marco de 2006

annaclbarros    08:49:58 — Arquivado em: poesias


12.6.08

Os três poetas

Sem vocês três
Impossível viver
Pessoa,Vinicius e Neruda
Inspiração do amanhecer ao anoitecer

Pessoa mexe com meu lado introspectivo
Vinicius com meu lado romantico
Neruda acrescenta o lado seletivo
Que mistura Amor,Pátria,Pessoas e tudo que é semântico

Pessoa revive minhas raízes portuguesas
Vinicius é a alma genuinamente carioca
Neruda é cosmopolita,do mundo
Esses tres tiraram-me duvidas,trouxeram certezas

Em Pessoa enxergo mais que o al´me-mar
Vinicius enaltece o amor
Neruda abrange a terra, apolitica e seu ardor
Esses tres me fazem divagar

Os tres sao minha referncia de vida
Alem de paixao,um respeito sem igual
Os tres fazem buscar a essencia perdida
Os tres me enriquecem de forma primordial

Pessoa lembra Portugal,a referencia paterna
Vinicius lembra o Rio de Janeiro,minha aldeira querida
Neruda lembra Guevara,a percepcao fraterna
Os tres sao palavras indeleveis,ternas

Pessoa é meu chão
Vinicius é minha emoção
Neruda trouxe política,minha foração
Os tres sao para mim mente,alma e coração

10 de julho de 2005
Nao deixam de ser meus amores!

annaclbarros    09:31:29 — Arquivado em: poesias
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