Depois de um longo e tenebroso inverno e com a dificuldade de conseguir os entrevistados, o que me desetimulou um pouco, o nosso quadro de entrevistas retorna e prometo que farei de tudo para continuar semanal. Dessa vez passa de segunda-feira para domingo. E o nosso entrevistado é Rodrigo Bueno, jornalista da Folha de São Paulo e comentarista dos canais ESPN. Agradeço a gentileza de Rodrigo e como ele diz : um abráááááço!
Anna Barros- Quando decidiu ser jornalista e por que?
Rodrigo Bueno -Decidi ser jornalista em 1989 quando terminei o colegial e fui prestar vestibular. Não sabia ao certo que carreira seguir, mas sabia que ia ser algo na área de Humanas, algo que tivesse a ver com escrever e que me deixasse o mais longe possível de física e química. Prestei diversos vestibulares, um para jornalismo, outro para publicidade, outro para psicologia, outro para relações sociais, acho, e por aí vai. Porém o jornalismo era o que mais eu queria disso tudo.
AB- Qual seu campeonato internacional favorito? Por qual time torce?
RB-Champions League e Libertadores, os dois torneios estão para mim no mesmo nível de interesse. Eles têm formatos parecidos, importância similar, mas características bem diferentes. E os considero indispensáveis. Torço, como costumo dizer, para o time de maior tradição internacional em cada país, de uma forma geral. No Brasil, sou São Paulo, Mundo afora, sou Ajax, Liverpool, Milan, Benfica, Bayern, Independiente, Peñarol, Olimpia, Colo Colo, Cienciano… Na Espanha, caso raro, tenho quatro times, todos de regiões diferentes: Real Madrid, Barcelona, Athletic Bilbao e Celta. E em alguns países tenho simpatia por times que não são muito tradicionais, mas que de alguma forma tive um contato próximo, marcante. É o caso do Oita Trinita, no Japão.
AB- Como consegue ser um excelente jornalista e ser tão afável com os fãs de esporte? Como mantém a humildade trabalhando num dos maiores jornais do País, a Folha de São Paulo e aparecer sempre na televisão, na Espn?
RB-Não sei se posso me considerar um excelente jornalista. Tem muita gente bem melhor do que eu. Mas sei também que tem muita gente no meio com muito mais nome e status para quem não fico devendo nada (ao contrário), profissionalmente falando. Como você vê, não sou tão humilde assim como você acha. E não sou também tão afável. Só procuro tratar as pessoas bem, isso tem a ver mais com educação, não com comportamento profissional. Se alguém me diz olá, digo olá. Se alguém me pergunta algo, respondo. Se alguém gosta de mim, gosto dessa pessoa também. Se alguém brinca comigo, brinco também. É assim na “vida normal”, por que seria diferente na profissão? Seria assim se fosse professor, taxista, engenheiro, feirante, arqueólogo (velho sonho…). Quem trabalha na mídia é uma pessoa comum como qualquer outra. Algumas pessoas que equivocadamente colocam “pessoas públicas” num pedestal, num outro plano. E é bom dizer aqui algo para você ver que não sou tão doce assim: se me tratam mal, costumo responder à altura. Tem um monte de gente que não gosta de mim. E vice-versa (rsrsrs).
AB- Qual o seu veículo favorito: jornal, rádio ou TV? E por que?
RB - Jornal. Digo isso porque desde garoto sempre gostei de escrever. Também escrevo para revista. E tenho uma veia literária que ainda não foi devidamente colocada para fora também. Só fui trabalhar em TV muito tempo depois de estar em jornal. E, no rádio, só fiz colaborações, nunca trabalhei mesmo, embora tenha feitos trabalhos de rádio bacanas na faculdade e de admirar muito esse meio.
AB-O que mais gosta em escrever em uma coluna e o que mais detesta?
RB- O que mais gosto é poder escrever sobre o que quero, e tenho quase total liberdade para isso. É muito legal escrever sobre aquilo que gostamos, no meu caso futebol global. O que mais detesto é que tenho que cumprir alguns padrões de tamanho e forma de texto, e, claro, de horário e periodicidade (quem faz blog não tem muito esse problema, mas um blog tomaria conta da minha vida, imagino). Tem semanas que gostaria de ter uma coluna por dia, tem colunas que considero muito pequenas para o que gostaria de dizer, tem colunas que mereceriam mais destaque (fotos, ilustrações, frases destacadas, números sei lá). E há muitos momentos em que gostaria de escrever também coluna de futebol nacional, acho que um dia farei isso também.