29.7.08
Jornalismo: ter ou não ter um diploma
Não é novidade que me interesso por política. Devo isso a meu saudoso pai que nos deu uma educação privilegiada regada a livros,jornais e discussões em casa de todos os temas. Aliás não tenho que me queixar de nada de minha educação tanto de meu pai intelectual como de minha mãe experiente na faculdade da vida. Só uma ressalva mas aí devo a mim mesma.Queria ter morado no exterior um tempo.Faltou isso à minha formação como pessoa mas meus pais não têm culpa. Nunca quis ficar longe deles,talvez prevendo a doença de meu pai em 1989 e sua morte precoce em 1991( câncer de cólon descendente).Isso posto gostaria de externar que aprecio muto Luiz Garcia além de Elio Gaspari,o mago d apolítica. E o artigo de Luiz Garcia hoje no O Globo(mais uma herança do meu querido pai) fala da exigência do diploma de jornalista.Ele diz que se não for exigido mais médicos,engenheiros,economistas teriam acesso à Redação de um jornal. Mas sabemos que é um meio extremamente fechado. Lembro de no segundo grau com aquelas dúvidas que pairam na cabeça de qquer adolescente eu ter pensado em fazer História, Direito (talvez devido à carreira bm-sucedida do meu pai),Arqueologia e… Jornalismo. Sim,pensei no primeiro ano do segundo grau. Papai me disse uma frase emblemática que me marcaria: "Mas Anninha pra ser jornalista não precisa ser formado". Hoje eu vejo que ele tinha razão em parte mas eu discordo do mestre Luiz Garcia. O diploma deve ser exigido sim mas sem restrição de imprensa. Isso não significa que talentos que não se formaram não possam ser jornalistas. Podem fazer uma pós hoje em dia que lhe dêem o direito.Ãntigamente não tinha a faculdade tanto que vários mestres do Jornalismo formaram-se em outras faculdades geralmente Sociologia ou Direito ou História. Meu pai exerceu o jornalismo no DCE de Direito da hoje UERJ,antigamente Universidade do Distrito Federal ,depois Universidade da Guanabara,lá nos idos dos anos 50 e pasmem-tem a carteirinha da Associação Brasileira de Imprensa,feito que me orgulho muito. Papai se formou em 1954,com 27 anos,o que nao acreditei ate ele me mostrar os documentos.Dizia que nao queria estudar,só ficar no DCE… Era uma das pessoas mais inteligentes que conheci,de uma juventude perene na alma apesar do conservadorismo, de ser de direita mas segundo ele "social democrata".É uma questão controversa mas o fato de Luiz tê-la abordado muitome gratificou e guardarei a coluna com muito carinho. Quantas vezes discuti com meu pai sobre política e ele me dizia que meu único defeito era ser Lula na época. Tudo que meu pai falava se concretizou em 2002 no imbroglio do mensalão. Mas sabe como é pai,vê poucos defeitos nos filhos.Eu tinha e tenho muitos. Um dia gostaria de escrever um livro com as histórias de meu pai. Não sabia que ele partiria tão cedo( eu tinha 18/19,no segundo ano de Medicina e minha irmã Renata,12) senão gravaria tudo que ele falava… Bem, lembrei do meu pai de novo. Mas falar de Jornalismo sem falar do meu pai é o mesmo que falar de Rio de Janeiro e não falar do Sol ou do Vaticano e nao falar do Papa ou de futebol e não falar do Pelé. Bem, ´não comentar sobre o meu time de futebol.Me recuso pois estou extremamente chateada. Meu pai era vascaíno mas mudou de time e nao sei ao certo porque no fim da vida torcia pelo Bonsucesso…Meu irmão Jose Carlos,doze anos mais velho que eu,filho do primeiro casamento de minha mae mas que meu pai criou desde os 5 anos,diz que foi uma derrota do Vasco pro Flamengo que muito o irritou,mas eu nao lembro,era pequena.Achava que tinah a ver coma Copa de 50 onde tinham muitos jogadores do Vasco,mas parece que não foi.A leitura de Luiz Garcia em sua coluna hoje vale muito a pena.
annaclbarros
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